Uma das mais valias do sotavento algarvio é a proximidade a Espanha.
Se, em tempos, a viagem não era fácil – a única alternativa para atravessar o rio Guadiana era o barco, com carreiras entre Vila Real de Stº António e Ayamonte - hoje a mesma não oferece qualquer dificuldade. Uma moderna ponte liga as duas margens.
Antes, exceptuando as pessoas que estavam de passagem para locais mais longinquos, era raro ir-se mais além de Ayamonte, devido à enorme dificuldade que significava o transporte do carro no barco.
Agora, localidades e terras dos dois países, ainda que afastadas algumas dezenas de quilómetros, unem-se em pouco tempo graças à ponte sobre o rio Guadiana e às vias rápidas que a ligam. A facilidade com que se vai de Vila Real de Stº António a Faro, usando a Via do Infante (A22), é a mesma que nos leva a Huelva usando a Auto Pista.
Como em tudo, há o reverso da medalha: o comercio local nas duas margens do Guadiana ressentiu-se fortemente, com especial incidência para o lado português – os espanhóis, com outra mentalidade, rapidamente arranjaram novas alternativas.
Longe vão os tempos em que um corrupio de pessoas debandava as duas margens num incessante movimentos de gentes e mercadorias, muitas delas passadas sob o disfarce e as artes do contrabando.
Mas não eram só portugueses e espanhóis que coloriam as ruas de Vila Real de Stº António. Turistas de outras nações que, a partir do sul de Portugal, procuravam Espanha (como destino ou mera travessia para outros países) faziam desta terra ponto obrigatório de passagem. O movimento era tanto que filas de carros com quilómetros de comprimento, na marginal de Vila Real de Stº António, a Av. da República, era coisa trivial nos meses de Verão. A agravar as dificuldades, entre a meia-noite e tal / uma da manhã (não me recordo bem) e as seis ou sete da manhã, o movimento de barcos sofria um interregno. Assim, não foram poucos os veraneantes que tiveram de fazer uma dormida forçada dentro ou fora das viaturas à espera de vez no próximo barco.
Se, em tempos que já vão longe, no tempo em que a peseta valia muito pouco, os espanhóis viviam mal relativamente aos portugueses, há muito que a situação se inverteu. A paisagem, o tipo de casas, o clima, a cor, os cheiros são similares de ambos os lados da fronteira mas uma observação mais atenta e minuciosa mostra que há algo de diferente. Não é só o som alto e o matraquear rápido das palavras em castelhano que brotam das bocas e ecoa pelas ruas, não é só aquela extroversão e alegria que parecem fazer parte da maneira de ser de nuestros hermanos, não são apenas as matriculas diferentes que identificam os carros espanhóis, não é apenas o elevado número de ciclomotores, tão do agrado da juventude espanhola, que serpenteiam pelas ruas, é algo difícil de explicar que traça um larga barreira entre os dois povos e que acentua, porventura ainda mais, a nossa tristeza natural quando comparada com a exuberância dos nossos vizinhos do lado de lá do Guadiana.
O desenvolvimento económico que existe em Espanha e que consta das estatísticas da UE não é apenas meros números, é sentido por todos os portugueses que ali se deslocam.
No país nosso vizinho, o dinheiro rola a uma grande velocidade, dos empregadores para os empregados e destes para o pequeno e grande comercio - ali ganha-se bastante e gasta-se bastante. E todos parecem satisfeitos com a despreocupada facilidade com que, ao fim da tarde, por ventura terminado o dia de trabalho, talvez antes do regresso a casa, se sentam nas esplanadas e mesas das “tasquinhas” a beber uns copos e saborear as típicas tapas.
E se o nível de vida em Espanha é muito superior ao nacional, os preços de muitos produtos são altamente concorrenciais com os nossos.
Um deles dá pelo nome de gasolina. Não interessa agora porquê mas o diferencial entre as gasolinas – 95 octanas - dos dois lados da fronteira valia, em finais de Julho deste ano, cerca de 22 cêntimos.
Contas por alto indicam que qualquer turista num raio de sessenta quilómetros a partir de Vila Real de Stº António pode fazer uma viagem a Espanha, Ayamonte, à borla. Como? Basta para tanto encher lá, em Ayamonte, o depósito da viatura com cerca de trinta litros de gasolina. O ganho de 6.60 Euros dá, a preços espanhóis, para adquirir gasolina (7.68 litros) para fazer cerca de cento vinte quilómetros (a uma média de 6.5 litros).
Não pensem que achei o ovo de Colombo. Em determinadas alturas do dia os carros portugueses que atestam na primeira bomba de gasolina que se encontra ao chegar a Ayamonte suplantam largamente os dos espanhóis.
Ainda que de Espanha possam não vir bons ventos, vem com certeza “boa” gasolina e não só......
Ai tanta coisa para ler!!!!! E eu com tanto caixote para acartar para a casa nova!!!!
Volto cá amanhã, mais descansada....prometo!
Boa noite:))))))
Afixado por: M. (de Manuela) em agosto 6, 2004 12:54 AMSaudades do folclore das idas a Ayamonte comprar caramelos e, na volta, das senhoras carregadas de esfregonas :) coisas sérias, para além da gasolina também os bens alimentares são, regra geral, mais baratos. Compras um cabaz com produtos básicos bem mais barato em Espanha. E, como dizes, ganham bem mais do que nós.
Afixado por: ognid em agosto 6, 2004 10:13 PMDuas coisas:
1ª Penso que o que n os lixou foi 1640...
2ª Já que estás a falar do algarve, sugiro não esquecer a parte do barrocal e das serras...atrevam-se e, com calor e tudo, verão que vale a pena...se precisarem de informação disponho de alguma...
Morfeu